EU & o PROJETO

Imagem: Intel.com (2019)

Sou professor Licenciado em Computação, Especialista em Mídias na Educação e Mestre em Diversidade e Inclusão, com ênfase em Linguagens e Tecnologias. Atuo como professor desde 1997, na formação profissional do SENAC e como docente de escolas e cursos técnicos da área de TI na região do Vale do Sinos. Atualmente sou professor do projeto Jovem Aprendiz na Universidade Feevale, na cidade de Novo Hamburgo/RS.

Estou cursando doutorado em Educação na Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) , orientado pela profª. Drª Eliane Schlemmer, na linha Educação, Desenvolvimento e Tecnologias. Meu projeto versa sobre as possibilidades, limites e desafios das conexões entre Aprendizagem e Internet das Coisas. Atualmente (maio de 2019) o projeto, que tem o título A JORNADA DOS HÍBRIDOS: uma cartografia dos percursos de aprendizagem dos sujeitos contemporâneos no conteto da Internet das Coisas, está em fase de qualificação e tem

Teoricamente o projeto se sustenta na Teoria Ator-Rede, ou TAR (LATOUR), epistemologia conectiva, reticular e atópica (DI FELICE) e cognição inventiva (KASTRUP).
Metodologiamente, se propõe uma composição metológica envolvendo a Cartografia das Controvérsias (VENTURINI), que operacionaliza a TAR, e o método cartográfico de pesquisa intervenção (KASTRUP, PASSOS, KASTRUP e ESCÓSSIA; PASSOS, KASTRUP e TEDESCO), que permite operacionalizar a cognição inventiva.

O objetivo de tal composição é analisar os contextos macro (TAR) e micro (cognição inventiva) do objeto. Futuras novidades, como empiria e o andamento do projeto serão postados neste espaço.

Anúncios

IoT: INTERNET OF THINGS ou Internet das Coisas

Fonte: UK Government, 2014

CONCEITO DE INTERNET DAS COISAS

Rede de dispositivos e objetos cotidianos equipados com sensores capazes de se comunicar via internet com outros objetos e com pessoas (ITU, 2017), rede de objetos físicos que contém tecnologia incorporada para perceber, comunicar e interagir com o ambiente (GARTNER, 2017) ou “[…] rede de objetos inteligentes que possibilitam detectar o contexto, controlá-lo, viabilizar troca de informações uns com os outros, acessar serviços da internet e interagir com as pessoas” (MANCINI, 2017, p.3). 

EI, VOCÊ? ONDE ESTÃO OS SEUS DADOS?

A notícia que capturou minha atenção hoje (13/05/2019) é qu a Pioneer, empresa de tecnologia, acaba de lançar um SSD com capacidade de 1 Terabyte de armazenamento, por 94 dólares.

Imeditamante me veio à mente meu primeiro contato com tecnologia digital, lá em 1994, com os disquetes, primeira mídia popular de armazenamento de dados digitais. Estou falando dos disquetes de 5 1/4 de polegadas (sim, os de 3,5 polegadas surgiriam bem depois) . E ali cabiam espantoso 512 KILOBYTES de informação. Um assombro para a época. Alguém aí sem medo de entregar a idade e admitir que usou? Pois eu usei. E muito! Dia desses me deu vontade (eu os guardo, outro indício da idade, essa mania de “posse física”) de ler seu conteúdo. Quem diz…. nem leitor de CD ou DVD meu notebook tem mais. E lá se vai mais um lote de informação, junto com minha coleção de fitas cassete, aposentadas anos atrás, perdida por falta de meios de acessá-la.

Lemos livros de séculos atrás, textos em pergaminho de 2.000 anos de idade, bem como hieróglifos e escrita cuneiforme de 3.200 anos. No entanto (pelo menos de modo geral), não conseguimos mais acessar conteúdo de disquetes e fitas cassete de 30 anos atrás. HDS e fitas DAT ainda são os mais confiáveis, mas estas tecnologias estão rapidamente se transformando em memória flash e outros modos de armazenamento cuja validade, enquanto mecanismo de leitura e escrita, não temos certeza até quanto durará. O armazenamento e manipulação desses dados estão a cargo de empresas cuja localização física não sabemos e cuja garantia estão condicionados à existência da empresa. E se a empresa falir? E se um ataquecibernético de grandes proporções comprometer essas bases de dados?

Longe de parecer catastrofista, estamos relegando nossos dados a armazenamento em nuvem que, porquanto ainda seguros com base em confiança (o usuário aceita os termos simplesmente porque não tem o que fazer: ou os aceita ou fica sem o serviço. Afinal, quantos de nós tem um servidor de e-mail próprio?

Acredito que precisavamos urgentemente de uma tecnologia de gravação e acesso mais estável e que ofereça aos legítimos proprietários da informação garantias de segurança, confidencialidade, acesso e leitura que ultrapassem a duração da empresa que os manipula enquanto tal.

Afinal, quem garante que não acontecerá com elas o que aconteceu com a Kodak e a Olivetti?

Gostou?
Curta, comente, compartilhe….

Um abraço e até a próxima
Claudio Lima

Livro Circulando entre as possibilidades de educação à distância e os desafios da Educação SuperioEUr

Eu colaboro nesta obra com dois capítulos, referentes à formação docente e à EaD .
Obra




LIMA, Claudio Cleverson de. Os desafios da educação superior: a formação docente inicial para a utilização pedagógica das tecnologias digitais  in EIDELWEIN, Mônica Pagel; GOMES, Raquel Salcedo. Circulando entre as possibilidades de educação à distância e os desafios da Educação Superior. Porto Alegre: Cirkula, 2018

LIMA, Claudio Cleverson de. Design educacional em projetos de aprendizagem a distância: fundamentos da programação de Computadores  in EIDELWEIN, Mônica Pagel; GOMES, Raquel Salcedo. Circulando entre as possibilidades de educação à distância e os desafios da Educação Superior. Porto Alegre: Cirkula, 2018

CAPACIDADES COGNITIVAS: use-as ou perca-as

Skim é uma expressão inglesa que significa “passar os olhos por algo”, discutido aqui no texto pela autora na perspectiva de “ler algo superficialmente”, sem aprofundar. A autora Maryanne Wolf argumenta que, fazendo isso, deixa-se de apreciar a complexidade do texto e faz com que a capacidade leitora do cérebro, desenvolvida na humanidade há 6.000, esteja sendo rapidamente modificado, com implicações para leitores de todas as idades, já surgindo a partir da quinta ou sexta séries. Esta capacidade leitora permite o desenvolvimento de alguns de nossos processos intelectuais e afetivos mais importantes, como internalização do conhecimento, raciocínio analógico, inferência, perspectiva, empatia, análise crítica e geração de insights, processos esses ameaçados enquanto nos deslocamos para os modos de leitura baseados no digital (WOLF).

Wolf cita Trukle, do MIT, para quem “[…] não erramos como sociedade quando inovamos, mas quando ignoramos o que desabilitamos ou diminuímos ao inovar. Precisamos enfrentar o que está diminuindo no circuito de leitura especializada, o que nossas crianças e alunos mais velhos não estão desenvolvendo e o que podemos fazer a respeito”. A habilidade de leitura precisa de ambiente para se desenvolver e, se os requisitos do ambiente estão exigindo rapidez e multitarefa para dar conta do grande volume de informações do digital, o mesmo acontecerá com a capacidade leitora: menos atenção e tempo dedicados a processos de leitura profunda diminuem a capacidade de inferência, análise crítica e empatia, indispensáveis à aprendizagem em qualquer idade. Exemplos relatados por professores e pesquisadores indicam que estudantes universitários evitam a literatura clássica dos séculos XIX e XX porque não têm mais paciência para ler textos mais longos, densos e difíceis. Mais que a “impaciência cognitiva” dos alunos, pode estar aí uma incapacidade potencial de ler com um nível de análise crítica suficiente para compreender a complexidade do pensamento e do argumento encontrados em mais textos exigentes, seja em literatura, seja textos científicos (WOLF).

Para a autora, a possibilidade de que a análise crítica, a empatia e outros processos de leitura profunda possam se tornar o “dano colateral” não intencional de nossa cultura digital não é uma simples questão binária entre impresso versus digital. Nem é apenas sobre os jovens: afeta a todos nós ao navegar em um constante bombardeio de informações. Há uma regra antiga na neurociência que não se altera com a idade: use-a ou perca-a. As mudanças no nosso cérebro leitor não estão terminadas, possuímos a ciência e a tecnologia para identificar e corrigir as mudanças na forma como lemos antes de se tornarem insolúveis. Deve-se trabalhar para entender exatamente o que vamos perder, sem desconsiderar as extraordinárias novas capacidades que o mundo digital trouxe. Para Wolf, devemos criar um cérebro de leitura “bi-letrado” capaz das formas mais profundas de pensamento em meios digitais ou tradicionais. Muita coisa depende disso: a capacidade dos cidadãos de uma democracia vibrante de experimentar outras perspectivas, a capacidade de nossos filhos e netos de apreciar e criar beleza; e a capacidade em nós mesmos de ir além do nosso atual excesso de informações para alcançar o conhecimento e a sabedoria necessários para sustentar uma boa sociedade (WOLF).

Para finalizar, opino que, para além da informação do texto a problemática exposta alerta para não colocar a questão leitura impressa x leitura digital como uma questão de perde-ganha. Ao fazer isso, se coloca o foco no problema, e não na solução. O conceito de híbrido do Latour, e o hibridismo dele derivado, (expressos no o desenvolvimento do “cérebro bi-letrado” da autora) permite entendermos que as possibilidades do digital são importantes, mas importante também é o que está se deixando de desenvolver.

Gostou?
Curta, comente, compartilhe!

Não é uma tragédia…sobre a vida

Agradecendo sua companhia no blog nesse ano de 2018, deixo aqui uma reflexão bastante importante sobre nossa vida, muito válida neste final de ano.

Que no Ano-Novo a gente curta, comente e compartilhe cada vez mais coisas boas


Um abração e excelente 2019!

Thesis project

Apresentação prévia do projeto de tese

Topics on Educational Research

Apresentação Desigualdades, Invisibilidades e Tecnologias Digitais no Novo Ensino Médio Brasileiro

Matrix is here ou “As mídias sociais estão te transformando num idiota” ?

aaa

Eu sei, seu sei. A Afirmação é forte,
E no mínimo duas questões já podem ser apontadas de imediato: 1) o fato de que não são as mídias sociais que te transformam em um idiota, mas a maneira que você as usa e 2) lançar um alerta contra as mídias sociais utilizando justamente uma mídia social é, no mínimo, contraditório.
Mas, onde alcançar as pessoas, senão nestes espaços contemporâneos?

De qualquer modo, a pergunta do autor é perturbadora e merece, no mínimo, uma análise mais cuidadosa. Considerando, também, é claro, que Jaron Lanier faz parte do seleto grupo de 100 pensadores mais influentes da revista TIME.. O que cá entre nós, apesar de todas as críticas, é um senhor reconhecimento.

Jaron Lanier é cientista, músico e escritor, mais conhecido por seu trabalho em realidade virtual e sua defesa do humanismo e da economia sustentável num contexto digital. Sua startup nos anos 1980, a VLP Research, criou os primeiros produtos de RV comerciais e introduziu avatares, experiências multipessoa em mundos virtuais e protótipos de grandes aplicativos de RV, como simulação cirúrgica. Seus livros Bem-vindo ao futuro e Gadget foram best-sellers internacionais, e Dawn of the New Everything foi escolhido um dos melhores livros do ano de 2017 pelo The Wall Street Journal e pela The Economist

Provocações do autor:

“Como permanecer independente em um mundo onde você está sob vigilância contínua e é consequentemente estimulado por algorítimos operados por algumas das corporações mais ricas da história, cuja única forma de ganhar dinheiro é manipulando seu comportamento?”

 

“As pessoas estão aglomeradas em grupos paranoicos porque podem ser mais fácil e previsivelmente influenciadas. A aglomeração é automática, estéril e, como sempre, estranhamente inocente […]. A paranoia acaba sendo, como de costume, uma maneira eficiente de reunir a atenção”…. –

 

E mais:

“Sua capacidade de conhecer o mundo, de saber a verdade, tem sido degradada, assim como a capacidade do mundo em conhecê-lo. A política e a economia ultrapassaram os limites da realidade; a primeira assumiu uma condição assustadora, enquanto a segunda se tornou insustentável: os dois lados da mesma moeda”.

 

Seja qual for sua posição em relação ao assunto, vale a pensa conferir o livro ou, no mínimo, a matéria em https://paginacinco.blogosfera.uol.com.br/2018/11/08/cranio-da-computacao-alerta-rede-social-esta-te-transformando-em-um-babaca/?cmpid=copiaecola

bbb

Gostou?
Curta, comente, compartilhe !

Grande abraço e até mais – Prof. Claudio LIma

A NOVA RAZÃO DO MUNDO

a nova razão do mundo

A NOVA RAZÃO DO MUNDO

Dardott e Lavall

 
Pontos de patida desiguais, cobranças de desempenho semelhantes. Ao explorar as raízes e ramificações do pensamento neoliberal ao longo do século XX, os autores destrincham de forma clara e precisa as implicações desse novo paradigma, em que a economia torna-se uma disciplina pessoal.
 
A figura central dessa nova racionalidade é o “sujeito empresarial”. Cada indivíduo é uma empresa que deve se gerir e um capital que deve se fazer frutificar. O conceito define a totalidade do que já foi chamado por estudos anteriores de sujeito “hipermoderno”, “impreciso”, “flexível”, “precário”, “fluido”, “sem gravidade”, “individualista”.
Na nova razão do mundo, todas as atividades devem assemelhar-se a uma produção, a um cálculo de custo, aliado ao imperativo do “sempre mais”, que visa a intensificar a eficácia de cada sujeito em todos os domínios: escolar e profissional, mas também relacional, sexual e assim por diante.
As atividades que permeiam a vida são concebidas essencialmente como “investimento” no interminável processo de valorização do eu, sobre o qual o indivíduo é inteiramente responsável.
A nova razão do mundo introduz formas sem precedentes de sujeição que constituem, para os que a contestam, um desafio político e intelectual inédito. “Combatê-la exige não se deixar iludir, fazer uma análise lúcida dele. O conhecimento e a crítica do neoliberalismo são indispensáveis”, sustentam os autores. Somente a compreensão dessa racionalidade permitirá que se oponha a ela uma verdadeira resistência e que se inaugure uma outra razão do mundo.
“O grande erro cometido por aqueles que anunciam a “morte do liberalismo” é confundir a representação ideológica que acompanha a implantação das políticas neoliberais com a normatividade prática que caracteriza propriamente o neoliberalismo. Por isso, o relativo descrédito que atinge hoje a ideologia do laissez-faire não impede de forma alguma que o neoliberalismo predomine mais do que nunca enquanto sistema normativo dotado de certa eficiência, isto é, capaz de orientar internamente a prática efetiva dos governos, das empresas e, para além deles, de milhões de pessoas que não têm necessariamente consciência disso. Porque este é o ponto principal da questão: como é que, apesar das consequências catastróficas a que nos conduziram as políticas neoliberais, essas políticas são cada vez mais ativas, a ponto de afundar os Estados e as sociedades em crises políticas e retrocessos sociais cada vez mais graves?”
Leitura imperdível, recomendo