el capitalismo o el socialismo?
O capitalismo surgiu há centenas de anos. Foi durante o final da Baixa Idade Média, no século XIV, quando uma crise causada pelo aumento demográfico expôs as fragilidades do sistema feudal. A palavra “surgimento” é o termo correto para se descrever o capitalismo. Ninguém o planejou: ele aconteceu, fruto da ordem espontânea da cooperação humana.

O capitalismo será sempre o sistema resultante de uma sociedade livre. Pessoas têm diferentes necessidades e diferentes habilidades. Para suprir as nossas necessidades, oferecemos nossas habilidades ao mercado, e isso se dá por meio da troca, do comércio. O capital, demonizado e distorcido ao longo da história, nada mais é que um facilitador desse processo – vender nossas habilidades, comprar nossas necessidades.

Por outro lado, o socialismo foi idealizado, pensado, planejado. Ele foi criado no século XVII, e se popularizou, pois, como faz até hoje, vende aos mais pobres o sonho de uma vida assistida e sem desigualdade. É um modelo fracassado, tanto por suas inconsistências econômicas, como Mises mostra em suas obras, quando por suas agressões à moralidade humana, como a filósofa Ayn Rand diversas vezes apontou. Resumidamente, essas duas fraquezas são, primeiro, ignorar que os meios de produção e o capital que eles se propõem a distribuir igualitariamente nunca existiriam se aqueles que o criaram soubessem que não seriam proprietários dele; segundo, crer que o conhecimento seja totalmente concentrável, ou seja, desconhecer que a informação está de fato disseminada por toda a população, e que, portanto, não é possível planejar todas as diretrizes de uma economia.

A mistura desses dois sistemas é o que vivemos hoje em diferentes intensidades: o intervencionismo. Esse é o modus operandi dos governos para suprir duas de suas maiores necessidades: ceder o mínimo de poder possível e exercer tal poder sem sufocar sua fonte de renda: o trabalho da população. O resultado desses infinitos níveis de intervencionismo pode ser observado em todas as gradações ao redor do mundo: de Cuba à Nova Zelândia, da Rússia aos Estados Unidos. O resultado também pode ser facilmente apreendido: mais intervenção, mais desigualdade.

Entendida a raiz do capitalismo, o processo de compreensão que origina a inflação se torna igualmente de fácil entendimento. Ora, se inflação e deflação são reflexo de alterações no valor do dinheiro, e o dinheiro nada mais é que um instrumento de troca – um produto como qualquer outro -, a diminuição de seu preço, ou seja, a inflação, será resultado de uma oferta excessiva de moeda. Isso ocorre somente de duas formas: emissão de dinheiro pelo governo, ou emissão de crédito sem lastro.

E onde entra o investimento estrangeiro? Ele é um potencializador daquilo que podemos fazer sozinhos. Ele é uma das vantagens que a globalização abre a países que o recebem. O investimento estrangeiro é aquele capital que está procurando uma forma de se remunerar melhor do que em sua origem, ou é fruto da diversificação do seu dono. Ele aumenta a oferta de capital, diminuindo seu preço e, portanto, facilitando novos investimentos, que gerarão mais empregos. Ele também é um termômetro institucional, pois países mais estáveis e mais previsíveis carregarão o benefício de terem exigidas taxas menores de retorno.

Mas discutir qualquer uma dessas lições não tem sentido sem antes debatermos o que as une: a política. É verdade que existem coisas que o mercado não pode fazer sozinho, e, mais que isso, que facilitam a existência do mercado. Essas coisas devem ser feitas pelo Estado, e são elas a justiça, a polícia e a defesa soberana. Claro que é difícil chegarmos a um patamar tão reduzido de Estado, mas a política deve ater-se somente ao necessário, evitando, na medida do possível, envolver-se até com cruciais setores como saúde, educação ou infraestrutura. Políticos populistas tendem a esconder, por trás de seus discursos assistencialistas, uma sede ilimitada de poder, que cresce na mesma proporção da incapacidade de sua população em limitar sua atuação. O poder será sempre exercido, e quase nunca renunciado, por aquele que o detém; é por isso que ele nunca deve sair das mãos da população. Por fim, o capitalismo e a democracia são uma combinação imperfeita, mas a mais certa e bem-sucedida que conhecemos; para merecê-la, temos de entendê-la e limitá-la, preservando nossa liberdade como pessoas.

 
Luiz Leonardo Fração

Presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)