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Sobre e-books, livros e leitura em contextos híbridos e multimodais

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A leitura constitui-se como um processo de vital importância para o crescimento intelectual individual e para o desenvolvimento das sociedades. O avanço que a humanidade conheceu após a invenção da escrita permitiu catalogar e compartilhar descobertas que antes só era possível pela transmissão oral. Guttenberg, com sua prensa móvel, popularizou a invenção chinesa da impressão. O  livro (essa possibilidade de ouvir histórias na nossa cabeça sem a necessidade da presença física do orador), antes restrito a poucos círculos de literatos, foi  a base do Renascimento, da Reforma Protestante e da Revolução Científica, lançando as bases da moderna economia baseada no conhecimento e permitindo a disseminação da aprendizagem em massa.

A revolução tecnológica iniciada em meados do século XX, com a criação dos primeiros dispositivos computacionais, teve como resultado prático a capilarização dos dispositivos computacionais e da rede mundial de computadores configurando-se como um notável avanço do nosso tempo. E o livro, em seus diversos formatos e suportes, sempre esteve no papel de grande facilitador da aprendizagem, da disseminação de ideias e da construção do conhecimento.

Os “profetas do caos” que já previram a extinção do rádio pela televisão e a morte da imprensa pela internet aprenderam que nenhuma tecnologia é inteiramente substituída pela anterior, mas sim que há períodos de adaptação em que as tecnologias coexistem e se complementam. O rádio continua firme em espaços onde não há conexão com a web e foi parar na internet onde isso é possível. Os websites jornalísticos complementam as vendas do jornal impresso e vice-versa retroalimentando-se mutuamente. Nesse sentido, vivemos, na contemporaneidade, em espaços onde as diferentes tecnologias analógicas e digitais integram as esferas física e virtual simultaneamente, caracterizando oscontextos híbridos e multimodais.

É nesses novos espaços que os sujeitos, em movimentos nômades, interagem, constroem conhecimentos e aprendem, o que nos faz pensar que uma nova cultura possa estar emergindo, não dicotômica entre a cultura analógica e a digital, mas, sim, uma cultura que coloca esses elementos e sujeitos em relação, na perspectiva de coexistência. A essa cultura poderíamos denominar “Cultura do hibridismo e da multimodalidade”, ou ainda “Cultura ubíqua”, se consideramos o fato de que as pessoas, os lugares e as coisas (objetos) podem estar interligados por redes de comunicação que possibilitam o tráfego de dados entre diferentes dispositivos e redes espalhadas por prédios, ruas, carros, enfim, por toda parte, possibilitando a comunicação entre esses diferentes atores, de forma que a computação se torna praticamente invisível (SACCOL; SCHLEMMER; BARBOSA, 2010, p. 74).

Com o livro acontece o mesmo fenômeno. A possibilidade de acessar o conteúdos dos livros em formato digital fez surgir o hábito de acessá-los diretamente nos dispositivos digitais. No entanto, como computadores tradicionais não são portáteis, e tablets e smartphones não são totalmente adequados para uma leitura fluída, os e-readers (leitores de livros eletrônicos) oferecem a possibilidade da experiência mais próxima possível de ler um livro em suporte físico.

Tendo como foco único a leitura e podendo armazenar centenas de e-books em um único dispositivo, ao apelo ecológico dos e-readers acrescenta-se a facilidade de leitura, utilizando a chamada e-ink (tinta eletrônica), um conjunto especial de fonte, luminosidade e disposição que faz com que a leitura seja extremamente mais agradável no e-reader do que em um tablet ou computador.

Baseado em Pereira (2013), cito 10 fatores que justificam o uso dos e-readers:

  1. Menos agressivo aos olhos: enquanto a maioria dos dispositivos móveis utiliza o padrão LCD, que emite luz direta e cansativa para uso contínuo, os e-readers utilizam telas opacas, que brilham menos e não geram reflexo nem cansaço, mesmo para quem utiliza o equipamento por longos períodos;
  2. Flexibilidade: permite leitura em qualquer local, tanto em seu quarto como em um parque, com luz mais intensa;
  3. Bateria: como é um produto específico, sua bateria pode durar um mês ou mais, mesmo com uso constante;
  4. Peso: um e-book costuma pesar, em média, o mesmo que um livro de bolso padrão. Um tablet costuma pesar o dobro ou até mais que isso;
  5. Durabilidade: enquanto dispositivos como tablets e smartphones ficam defasados em espaço de armazenamento e poder de processamento, os e-readers continuam funcionais por anos a fio, sem necessidade de troca;
  6. Preço: enquanto bons tablets custam cerca de R$ 1000, um e-reader pode ser comprado por um terço desse valor;
  7. Custo dos e-books: pelo fato de terem formato digital, os e-books costumam ser vendidos por preços muito acessíveis, o que facilita a aquisição de mais material;
  8. Conexão: os e-readers têm conexão com livrarias e bookstores físicas e virtuais para compra diretamente do e-books;
  9. Distração: enquanto tablets e smartphones têm diversos aplicativos, o que pode acabar distraindo o leitor, o e-reader foca exclusivamente na leitura;
  10. Praticidade: você pode, no mesmo dispositivos, carregar 10 ou 300 livros que o peso será o mesmo. Livros físicos têm o inconveniente do volume

Deixo claro que, como exposto, não me aventuro a decretar a morte dos livros físicos, nem mesmo no futuro. Provavelmente o livro subsistirá nesse contexto híbrido (analógico-digital) por um período bastante longo. Além disso, há pessoas que preferem o contato físico e, também, há que se considerar que existem diversos grupos de indivíduos sem acesso a dispositivos digitais.

Contudo, dada a natureza do post, esclareço há vários repositórios de e-books gratuitos na internet, tanto obras de domínio público quanto material científico, instrucional e obras produzidas especificamente para o público de e-books.  Como seria exaustivo relacionar todas, ou mesmo as mais importantes (deixo isso para um próximo post), segue abaixo um link que considero bastante interessante, dada a diversidade de obras que podem ser baixadas para leitura no e-reader (recomendado) ou, mesmo, para ler no seu computador, tablet ou smartphone. O link para o Google Drive, abaixo de cada conjunto de imagem, foi testado e está funcional.

https://acasadevidro.com/2013/11/02/milhares-de-e-books-completos-para-download-filosofia-sociologia-psicologia-literatura-antropologia-marxismo-apreciem-sem-moderacao/

Há também a página da mesma coleção no facebook -> https://www.facebook.com/pg/blogacasadevidro/photos/?tab=album&album_id=823357141023946

 

E você, o que acha sobre livros, e-books e leitura em tempos de hibridismo digital? Deixe sua opinião ou comentário.

Um abraço e até mais

 


REFERÊNCIAS

PEREIRA, Ana Paula. 7 motivos pelos quais os e-readers são melhores do que os tablets. Disponível em <http://www.tecmundo.com.br/leitor-digital-ereader-/35218-7-motivos-pelos-quais-os-e-readers-sao-melhores-do-que-os-tablets.htm&gt; Acesso em 14 nov 2016

SCHLEMMER, Eliane. Gamificação em Espaços de Convivência Híbridos e Multimodais: Design e cognição em discussão. Revista da FAEEBA-Educação e Contemporaneidade 23.42 (2014).

 

 

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