Cibercultura, Educação, tecnologias digitais

CERTIFICAÇÃO versus APLICAÇÃO: o que de fato prepara?

Paper Idea Empty Creativity Pen No Light BulbO fervilhante universo da tecnologia digital repetidamente – e cada vez mais – tem se tornado precursor de mudanças que serão adotadas pela sociedade, determinadas por geeks visionários que, utilizando novíssimas ferramentas da comunicação e design não estão nem um pouco preocupados em quebrar paradigmas e pensar diferente. Em programação, por exemplo, apesar de ninguém desprezar o espaço onde você se formou, só irão realmente te dar atenção quando você mostrar o que criou com esse conhecimento. Se você é um bom programador Python – e demonstrar isso na prática, não não vai interessar muito se você aprendeu numa prestigiada universidade, num curso técnico ou em um MOOC gratuito na web. Essas ideias, entre outras, defendidas pelo francês Mathieu Le Roux, corroboram a noção de que dificilmente outro ramo científico ou técnico ofereça tantas oportunidades a alguém de qualquer idade, gênero ou nacionalidade que se disponha a investir tempo para aprender e,  logo em seguida, criar ou compartilhar o que aprendeu. Se o produto criado for distribuído no formato open source, melhor ainda. E aí entra a seguinte questão: vale mais o certificado ou a demonstração de que o sujeito sabe criar com o que aprendeu?

“O mundo vai valorizar cada vez menos diplomas e certificados e cada vez mais o que você, de fato, tem criado com o conhecimento adquirido, ou seja: seu portfolio” (LE ROUX, 2016).

Para Le ROUX (2016) o portfolio, ao comprovar sua imaginação (ao passo que o diploma comprova apenas sua formação) é inovador. O modelo clássico de educação, cada vez menos utilizado por programadores e designers,  treina alunos a encontrar soluções de problemas que já foram resolvidos. O professor desenha questões e desafios que ele consiga corrigir, e quase sempre executa tal correção comparando a resposta do aluno, estando correta a resposta  que melhor replica (raramente inventa) a resposta para o problema proposto. No final do curso, com tempo determinado pela organização escolar – e não pelo desejo ou vontade do aluno – você é aprovado se souber respostas já conhecidas pra problemas já resolvidos.

O jeito que ensinamos a maioria das matérias na escola tradicional soaria ridículo para qualquer programador […]   O que fica radicalmente diferente com portfolio é que não há limite de quantas pessoas acabarão julgando o seu trabalho. Para um portfolio, o numero de pessoas usando o software que você programou, assistindo a animação que você criou, ou lendo o blog que você escreveu torna-se o novo padrão de sucesso. Seguidores, curtidas e visualizações são o verdadeiro reconhecimento da idade moderna. […] E essas multidões são, também, mais espertas. Elas vão rastrear qualquer bug, erro, incoerência, ou informação falsa bem mais rápido e impiedosamente do que o melhor dos seus professores (LE ROUX, 2016)

Quanto a forma de aprender, Le Roux (2016) acredita que as ciências cognitivas têm provado que se aprende brincando, que aprender tem que ser um jogo (ver gamificação em educação (SCHLEMMER, 2016  e MATTAR, 2014).  Aprendizes ficam mais animados quando criam coisas do que respondendo formulários ou escrevendo textos repetitivos, enfadonhos e padronizados. Claramente, as escolas e universidades não devem ser fechadas, pelo claro motivo que a maioria delas já oferece, para estudantes motivados e esforçados, é claro, grandes oportunidades de criar um portfolio. Se esforçar para entrar na melhor universidade possível continua valendo. No meu curso de Licenciatura em Computação, por exemplo, aprendi programar, utilizar ferramentas de criação de apresentações, trabalhar em equipe, falar em público e preparar aulas. Mas  a maior parte desse aprendizado desenvolvi mesmo fora de aula, utilizando a internet, conversas de cantina com estudantes de outros cursos (sim, funciona melhor que muita aula!) e reuniões de final-de-semana com  colegas também dispostos a aprender. Fiz – e continuo fazendo- muito curso pela internet, MOOCs e leituras diversas. Afinal, como diz Le Roux:

Verificar na internet antes de atacar qualquer problema deveria ser obrigatório. Ninguém nunca achou uma solução? Então publique a sua! Alguém já resolveu? Passe para um problema novo. Obviamente que uma nova pedagogia, nessa linha, exigiria que se desenhassem problemas de uma forma diferente (e professores com imaginação). Mas a quem se formasse nesse modelo eu confiaria meu futuro (LE ROUX, 2016)

E você, o que acha disso?

Deixe sua resposta, curta, compartilhe!
Grande abraço e Feliz 2017!

 

 

 

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2 thoughts on “CERTIFICAÇÃO versus APLICAÇÃO: o que de fato prepara?”

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